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Revide / Luiza Romão





com uma linha reta é possível desenhar edifícios

a malha urbana ferroviária
calcular a distância entre um ponto A e um ponto B
mas definitivamente não é possível
definir a distância entre um manifestante político e um animal fardado  


são pontos distantes
completamente opostos no quesito humano
nós
o ponto fora da curva
que não se curva
a não ser quando a arma aponta
e cria pontos na face na fronte
que mesmo assim afronta
“tu deixou de ser homi quando vestiu essa farda”
com uma linha reta é possível desenhar
quadrados, triângulos, hexágonos
mas definitivamente não é possível desenhar a história
essa é espiral fora da ordem
retorno sobre si mesma
inversão de cronologia
se pergunta
quando surgiu a democracia?
foi brincadeira
lenga-lenga
infância café com leite
minas-são paulo minas-são paulo
minas explodem em são paulo
em criança-jovem-jornalista
é bomba pra todo lado
o velho estado novo atualizado
o país do futuro preso ao passado
com uma linha reta se dividiu o equador
ao sul não há surpresa
o que esperar de uma república fundada por generais
com mais presidentes impostos que eleitos em termos judiciais
não foi com linha reta que a história foi traçada
foi com a bala da agulha alinhavada
a bala na agulha
agulha na linha
sempre reta
alcança a meta
metralhadora
no peito que não é alvo
seta
certa
a resposta
golpe nossa marca de nascença
cordialidade é folclore
nossa tradição sempre foi de violência
e revide à mão-armada
punho-erguido
que paz não traz justiça
quando a toga traz carniça





Luiza Romão é poeta, atriz e diretora de teatro. Em 2014, publicou o livro Coquetel Motolove e participou de inúmeros saraus/slams (sendo campeã do Slam do 13, Slam da Guilhermina e vice-campeã nacional via Slam BR). Criou mais de quinze videopoemas, explorando a linguagem do spoken word. Formou-se em 2014 em Direção Teatral na ECA/USP e, atualmente, estuda na Escola de Artes Dramática. Já participou da Cia Ato Reverso e do grupo Teatro Documentário. Atualmente é atriz convidada no Núcleo Bartolomeu de Depoimentos; e integrante do coletivo de performance da palavra Literatura Ostentação. Também é arte-educadora, já tendo trabalhado em diversos programas e projetos de cultura. Em 2017, lançou o projeto Sangria, que mescla literatura, bordado, narrativas, vídeos e um espetáculo lírico.

4 comentários:

  1. Olá tudo bem? Adoro o conteúdo do blog, sempre voltado para cultura poética o que é muito raro hoje em dia, adorei o post e textos!

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  2. SANTO DEUS!
    Arrepiou a minha alma! Me lembrou muito eu ontem, na rua, manifestando e lutando, me lembrou muito os debates que levantamos na universidade esses dias, meu deus, vou colar isso na testa, adorei muito mesmo!

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  3. Oiieeee


    Vc sempre trazendo novidade, nos apresentando talentos que eu nem conheceria (confesso) normalmente. Gostei da escrita, em virtude do cenário estranho e tenso que vivemos fica um pouco assustador até ler essas palavras e ver o quanto são reais pra nós, evidentes. A arte sempre consegue se manifestar de maneiras únicas, adoro isso, porque através da prosa, da literatura, da poesia, a essência de uma idéia sempre consegue ser passada com perfeição

    Beijos, Alice

    www.derepentenoultimolivro.com

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma