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Resenha - Eu queria crescer para passarinho / Manoel de Barros




Livro sobre Nada, de Manoel de Barros, Editora Record, é a poesia de brincar de nada, cabular o tempo e as palavras e transformar tudo em efêmero, bola de gude, brincadeira de moleque.

Meu irmão veio correndo mostrar um brinquedo que inventara com as palavras. Era assim:

Besouros não trepam no abstrato.

 

 

Eu queria crescer para passarinho.

 

O verbo para o nada, não tem obrigação, é livre por natureza e essência, apenas cria e recria conforme o sinal dos ventos. O nada não é inútil, mas aquilo revela fluidez, sem padrões, caixas ou mesmo método, mas se embrenha no ritmo da natureza. Há, contudo, uma medida para o indizível que se entrelaça no ser livre.

 

A voz do meu avô arfa. Estava com um livro debaixo dos olhos. Vô! o livro está de cabeça para baixo. Estou deslendo.

 

Às vezes, é preciso desler a vida, os livros, o tempo, as ideias, as relações e “(...) fala com pedra, fala com nada, fala com árvore (...)”. Dividido em quatro partes, Livro sobre Nada versa sobre o simples, o belo, o livre, a natureza, o vazio que dá espaço ao novo, à criação e o silêncio que dialoga.


Um comentário:

  1. Isso que voê falou sobre desler a vida foi muito forte!
    Eu nunca tinha pensado em pensar o Nada, mas agora com esse post eu tô realemnte tentada a ler essas poesias, parecem ter uma carga enorme!
    Sem contar que o nome por si só é extremamente emblemático né, adorei. Já coloquei na minha wishlist!!

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma