Header Ads

Resenha - Uma Jornada Iniciática Rumo à Individuação Feminina

 

Mulher Tecendo (Tear Lauhala)

Li A Tecelã - Uma Jornada Iniciática Rumo à Individuação Feminina, de Barbara Black Koltuv, Editora Cultrix, há algum tempo e desde então, fiquei sonhando em ter meu exemplar, visto que o que havia lido fora emprestado. Este ano, o Grupo editorial Pensamento resolveu relançar uma nova edição desta obra que compõe série Biblioteca Junguiana de Psicologia Feminina.

 

A lua é semelhante à mulher. É diferente a cada noite e tem um ciclo regular, mas misterioso. Nossa visão da lua se altera. Às vezes, ela não se encontra no céu, está imperceptível, escondida e velada, mas controla as marés da emoção e da energia. Quando nos tornamos conscientes da Lua interior ou ciclo menstrual, somos capazes de nos aproximar da deusa que há dentro de nós mesmas.

 

Dividido em nove ensaios, em seu livro, Barbara faz uma analogia dos arquétipos que habitam a psique feminina e sua simbologia no processo de individuação, ou seja, processo de desenvolvimento da personalidade, segundo a psicologia Analítica Junguiana.

 

Imagine um ser que sangra, mas não está ferido. Imagine um ser que sangra, mas não morre. Será uma criatura mágica, mítica ou apenas uma mulher? Ou ambas as coisas?

 

No primeiro capítulo, Mistérios sanguíneos, a autora traz a relação da lua, processo menstrual e a psique, que, por sua vez, adentra na natureza instintiva feminina, reconciliando a mulher consigo mesma e sua condição humana. “Mistérios sanguíneos trata da inteireza essencial subjacente à Psiquê feminina”.



Os ensaios ‘Mães e Filhas’ e ‘Hetairas, Amazonas e Méduins’ são mais analíticos, a princípio tendo como base lanços emocionais constituídos da relação biológica, relação mãe e filha, para depois tratar do complexo materno negativo e seus desdobramentos na psique.

 

A mãe e a hetaira são os arquétipos mais famosos, mais evidentes e mais culturalmente aceitáveis do feminino. São polos opostos da característica eros do feminino, ou aquela que estabelece relações.

 

O capítulo ‘Irmãs e sombras’ é o resultado dos efeitos patriarcais na psique feminina e como isso interfere nas relações das mulheres e o caminho para olhar para aquilo que é rejeitado na sombra. Animus: Amante e Tirano, além de ser um convite para que as leitoras reflitam como se sentem diante de tudo o que já leram, bem como trazer o contraponto de um arquétipo masculino na psique da mulher, que seria o animus.

 

O animus é formado a partir da experiência do nosso pai, do animus ou lado masculino da nossa mãe e do inconsciente coletivo que fornece a dimensão arquetípica. Um exemplo disso é o estoque de personagens masculinos que aparecem nos sonhos, mitos, lendas e na literatura – o amante, o estuprador, o pai, o crítico, o homem mau, o professor, o patrão ou o guerreiro.

 

Nos capítulos seis e sete a autora continua a tratar do animus, para finalizar com os ensaios Criatividade e Realização; A feiticeira e a Sabedoria, em que conceitos como liberdade, amor, relacionamentos e o ego feminino. Barbara também traz um arquétipo rejeitado, a Feiticeira e o lado feminino de Deus.

 

Ler A Tecelã uma única vez ou duas, para mim, não é suficiente, há tanto a resgatar, curar e reinventar na psique feminina tão ferida pelo patriarcado e tão sedenta de se apropriar do que é seu que seja na sombra ou na luz, que sinto ser um longo caminho de rupturas, cuidados e conhecimento.  

14 comentários:

  1. Olá,
    Sempre bom quando um livro mexe com a gente. Achei interessante as analogias, parece ser algo repleto de símbolos e é sempre bom este tipo de conhecimento.

    ResponderExcluir
  2. pelo que li é um livro que devemos manter na cabeceira para consultas diárias, sempre e sempre. Muito boa a sua indicação!
    bjos
    Lucy - Por essas páginas

    ResponderExcluir
  3. Nossa, nunca tinha escutado falar sobre esse livro e a história parece tão interessante! É maravilhoso quando um livro mexe com as nossas emoções, mais ainda quando possui um conteúdo tão importante que precisamos contar para todas as pessoas a nossa volta.

    ResponderExcluir
  4. Oi, tudo bem? Não conhecia o livro, pois não leio muita coisa sobre psicologia, mas gosto muito, é um assunto que gostaria de ler mais. Fiquei bem interessada no livro, porque acho essencial a gente repensar as mulheres e os símbolos. Acho que deve ser um livro bem inspirador e instrutivo. Vou deixar na wishlist! Obrigada pela dica!

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

    ResponderExcluir
  5. Olá, tudo bem?
    Eu ainda não conhecia esse livro, mas adorei ver o quanto você gostou da leitura. Parece ser um livro muito rico e que trabalha muitos simbolismos. Parece ser uma leitura enriquecedora e que nos faz refletir. Adorei o post!
    Beijos!

    ResponderExcluir
  6. Oi Lilian, tudo bem?
    Sei que é um livro de psicologia jungiana, mas como esses dias eu terminei um curso de narratologia com a Cláudia Lemes, essa leitura seria perfeita para estudar arquétipos e me ajudar a construir personagens baseados neles. Eu adoraria realizar essa leitura e encontrar outras parecidas.
    Um beijo de fogo e gelo da Lady Trotsky...
    http://wwww.osvampirosportenhos.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Psicologia analítica junguiana e arquétipos tem total relação ^^

      Excluir
  7. Preciso dizer que estou arrependida de não ter solicitado essa obra quando tive chance, adorei sua opinião e considerações sobre a leitura que demonstra ser muito mais significativa do que imaginava.

    ResponderExcluir
  8. Tô adorando visitar e ler seus conteúdos, são sempre os melhores!


    Meu Blog: Marina Lemos

    ResponderExcluir

O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma