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Resenha – A personificação Arquetípica do Espírito Feminino Independente

 

Francesco Hayez (1791-1882) | Deusa artemis


Ártemis é a representação do espírito feminino independente, ou seja, das mulheres que têm a deusa como arquétipo ativo. Visto que ela é a deusa da caça e da lua, além de irmã gêmea de Apolo. Jean Shinoda Bolen, no livro Ártemis - A personificação Arquetípica do Espírito Feminino Independente, Biblioteca Junguiana de Psicologia Feminina, Editora Cultrix, apresenta um estudo sobre a mulher indomável. Entender profundamente esse mito pode contribuir para autonomia da mulher, do feminino e o equilíbrio entre masculino e feminino.

 

Ártemis é a predisposição arquetípica aos relacionamentos fraternos e igualitários com os homens, o senso de irmandade com as mulheres, a capacidade de atingir alvos distantes ou enfrentar desafios e a preferência pela natureza em detrimento da cidade.

 

É importante frisar, antes de tudo, que, segundo a autora, na literatura junguina, Psique é um mito utilizado como modelo para desenvolvimento psicológico da psique feminina, apesar disso, não é um padrão para todas as mulheres. Dito isso, a autora começa a contextualizar essa mulher invencível ou insubmissa na cultura, como por exemplo, a personagem central do livro Os homens que não amavam as mulheres ou de Jogos Vozares, por exemplo.  

 

Nos romances, assim como na vida real, o que importa não é o que acontece as pessoas, mas sim o modo como reagem.

 


Segundo a autora, mulheres, mortais, que vivem em um contexto patriarcal, apresentam uma psicologia feminina em padrões arquetípicos representados por oito deusas da mitologia clássica, entre elas, Ártemis, o arquétipo da irmã e feminista. Assim, todos os arquétipos estão vivos em todos os seres humanos, são vivenciados, projetados em terceiros ou reconhecidos em mitos ou na produção cultural. E isso pode ser estimulado ou reprimido a depender do contexto social em que crescemos, principalmente o familiar.

 

Dividido em nove capítulos, Bolen destaca o primeiro capítulo para o mito de Atalanta, como uma mulher mortal à imagem de Ártemis que em sua vida tem mais de uma deusa arquetípica, neste caso, Afrodite, a deusa do amor. Apesar disso, Ártemis é um arquétipo dominante, principalmente na primeira fase da vida de Atalanta.

 

A história de Atalanta tem a força de um grande sonho com várias camadas de significado. A princípio, sentimo-nos tentados a aceitar a história toda com as imagens que ela evoca enquanto a ouvimos, logo ao primeiro olhar, uma imagem ou detalhe, pode prender nossa imaginação. Mitos perenes são semelhantes a sonhos vívidos que as pessoas recordam porque há alguma coisa neles. Tocam a psique do sonhador, leitor ou ouvinte, mesmo sem interpretação. Atalanta é mortal e se assemelha a uma mulher de carne e osso que às vezes aparece num sonho ou na vida ostentando o arquétipo ou alguma qualidade de Ártemis, quando isso acontece, a mulher que lembra Atalanta pode se tornar uma combinação de deusa e mortal aos olhos dos outros.

 

Nos capítulos seguintes, por meio de Ártemis e Atalanta, a autora vai se aprofundando no arquétipo da mulher contemporânea. E no destrinchar de diversos pontos do mito, é possível compreender a integridade da mulher independente, autoconfiante, que se basta por si mesma, sendo assim, essa mulher não tem sua psique subjugada a um homem ou coletivo e é nesse sentido que reside sua integridade. Sua preocupação de vida não é o matrimônio e o que tudo isso acarreta, mas a independência.


16 comentários:

  1. Olá. Pareceu-me interessante esse deslizar entre o mito, o real, o contemporâneo e o tradicional. O Feminino não é tão discutido, evidenciado, criticado ou posto à prova quanto deveria, mereceria. Uma obra instigante. Abraços.

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  2. Gostei da perspectiva proposta pela obra. Essa compreensão do feminino não somente como receptivo, mas também como agente ativo. As conquistas das mulheres na nossa sociedade vão ao encontro desse ideal de equidade entre mulheres e homens para que o mundo se torne mais humano.

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  3. Oi Lilian.

    Todas as vezes que venho aqui, descubro leituras novas e sempre desperta curiosidade. Adorei conhecer este livro que apresenta o real contemporâneo no feminino. Com certeza é uma leitura bastante importante para todos os leitores.

    Bjos
    https://consumidoradehistorias.blogspot.com/

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  4. Poxa, deve ser uma leitura formidavel. A cultrix sempre arrasando em suas publicações..fiquei curiosa pra saber mais a respeito dos arquétipos. Aaah Lisbeth sendo mencionada heheh gostei.

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  5. adoro suas resenhas dos livro com base junguiana, me sinto envolvida em conhecer mais dessa perspectiva do feminino por meio da mitologia, e mesmo ja tendo te ouvir falar dele ler sua resenha torna tudo mais vivo e me dá mais vontade de ler e ver como serão meu insights.

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  6. Sensacional conferir essa resenha sobre um título que já atraiu meu interesse e também chamou minha atenção logo de cara. Gosto muito das referências que leio relacionada a figura da deusa Ártemis dita também a representação do espírito feminino independente. Particularmente, gostei muito do que apresentou aqui sobre. Além das suas considerações interessantes e inteligentes. E alguns pontos citados foram curiosidades pra mim.

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  7. Deve ser uma leitura bem rica. Eu sou psicóloga, mas não sigo a abordagem da Psicanálise. Porém, eu adoro estudar essa linha, uma vez que é riquíssima em teorias. Essa apresentada por você, parece fascinante. Adorei saber mais sobre do que se trata essa obra. Deve ser esclarecedor e enriquecedor fazer essa leitura.
    Abraços

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    1. É sempre importante conhecer a diferença entre Psicanálise, Psicologia Analítica Junguiana, além de compreender o que é teoria. Estudar é importante... Obrigada por visitar o blog.

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  8. Oie Lilian! Muito interessante sua apresentação sobre o livro. Tenho me aprofundado agora sobre o tema e a construção feminina, por isso me despertou bastante a atenção esse livro. Li agora no começo do ano "Mulheres, Mitos e Deusas" e me remeteu bastante a algumas coisas que encontrei por lá.
    Parabéns pelos ótimos textos de sempre.
    Bjos.

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