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Recife em dias de chuva / Maria José de Melo

 



RECIFE EM DIAS DE CHUVA

 

A Região Metropolitana de Recife é densamente ocupada

Recife com seu território restrito

Cheio de várzeas constritas e morros residuais.

Esta cidade é cheia de histórias para os condenados da terra.

 

Tomara que não chova! Aqui, dia de chuva é um caos.

A várzea sucumbe e vêm os grandes alagamentos

Canais se dilatam, gerando transbordamentos.

Ninguém dorme!

 

Uma vez saturada a terra, ocorrem os deslizamentos

Na Formação Barreiras

Aqui, é tudo aladeirado.

Encostas fragilizadas arremetem contra casas, árvores e humanos.

O susto é pouco pra quem foi esquecido no meu Pernambuco imortal!

 

Depois de alagada a avenida

O canal retificado revida

Extravasa água pluvial, lixo, esgoto e lama pra todo canto.

A consciência parou!

A tragédia anunciada denunciou

O agente que deveria estar presente.

 

A omissão se instalou

Levou o suor e os poucos bens daquele que labutou

Pelo ralo da rede de esgoto ineficiente

Onde se mistura água da chuva, lixo e efluentes.

 

Aqui é assim, na terra da Veneza brasileira.

Terra dos altos coqueiros

De valor e estendal beleza

Nova Roma de bravos guerreiros

Precisa de uma seara vermelha.

 

DIALÉTICA DA OMISSÃO

 

A vida não dá certeza

Há um movimento dialético profundo,

Até mesmo a natureza

Altera-se a cada segundo.

 

Oh, Geografia ingrata!

Vieram Ondas de Leste com calor, vento forte e pressão.

A chuva se concentrou sobre Recife, Jaboatão e Camaragibe.

O percurso das águas preencheu várzeas e colapsou topos convexos.

 

A planície flúvio-marinha inundou

O rio transbordou

Espalhou a lama pra tudo quanto é lado!

 

A ação da chuva potencializou o fluxo,

Encontrou uma vertente íngreme

Sob o efeito da gravidade

A terra sobre a encosta deslizou.

 

Água e lama encontraram no seu caminho

Desatenção, descaso, casas!

Cadê o socorro?!

Oh, mais uma vida perdida que a lama levou!

 

O grito ecoou

Houve estralo, a barreira desabou.

Meu Deus!

O grito silenciou na Vila dos Milagres, Areeiro, Curado IV, Jaboatão Centro, Paratibe e Jardim Monte Verde.

Quanta omissão demonstrou!

Poder público? Só se for pra cobrar imposto!

Persistem infraestruturas inadequadas na irregular ocupação

Inexistem o muro de arrimo e a rede de esgoto

O manejo das águas é uma ardilosa ficção.

 

A água baixou e a humanidade parou!

Multiplicam-se os transtornos para a população

A reação é necessária

Daquele que labuta

A luta popular é o único caminho luminoso.

 

PERNAMBUCO: TERRA DOS BRAVOS GUERREIROS

 

Aqui é o coração do Brasil: Oh, Pernambuco imortal!

A chuva esse ano veio com força!

Silenciou o grito no Jardim Monte Verde!

Levou a paz daquele que labutou de sol a sol.

 

Esses morros, e vales, e rios

Denunciaram a indiferença, a ganância e a covardia dos conquistadores

Que reproduzem batalhas cruéis contra os da terra!

Nossa! Deram trégua? Nunca!

 

O futuro incerto é possível?

A crença, a esperança e o brilho sempre fora ativo: para os guerreiros.

No passado, após lutar, o infinito era a glória.

O povo nunca descansou. 

 

Os brios do nosso povo: sentinela adormecida e sagrada

Que defende os seus;

No presente, és guarda com louvor.

Na terra dos altos coqueiros.   

A luta popular é o caminho para aqueles que sobreviveram

 

 

Sobre a autora:

 

Maria José de Melo, natural de São Caetano município do Agreste de Pernambuco. Filha de camponeses, poetisa e de alma regional com pretensões de ser universal. Geógrafa, Mestre em Serviço Social e Pós-graduanda em Docência. Seu livro publicado: “A Renda Fundiária na transposição do Rio São Francisco”. Escreve poema, crônica, ensaio, romance, carta e pensamento.

Rede Social: Instagram / Fecebook

6 comentários:

  1. É muito bom ler o meu poema aqui!!!

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  2. "Quem sabe faz a hora não espera acontecer". Parabéns!!! Lindos poemas.

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  3. Oi LilIan.
    Adoro vim aqui no blog e conhecer novos escritores, especialmente de poemas. Gostei muito do poema Terra dos Bravos Guerreiros. Parabéns pelo post com poemas maravilhosos.

    Bjos
    https://consumidoradehistorias.blogspot.com/

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  4. Caramba! Muito bom os poemas. Parabéns, continue assim.

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  5. Gostei dos temas. Poemas assim vale apena. Quanta delicadeza e conhecimento nesses poemas. Uma delícia de leitura. Parabéns!!!

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

@Poesianaalma