Resenha - Uma Praça em Antuérpia




30 junho 2015


Como se poderia esperar de uma narrativa que se passa na Segunda Guerra, Uma praça em Antuérpia, de Luize Valente Editora Record, 364 páginas é um volume a ser lido com uma caixa de lenços e muito café do lado.


Uma Praça em Antuérpia - Após sua estreia literária com O segredo do oratório, sucesso de público e crítica, Luize Valente volta a mergulhar, de maneira ainda mais surpreendente, na história de uma família de migrantes em Uma praça em Antuérpia. Com domínio da narrativa, que vai e volta do ano-novo de 2000 em Copacabana para os anos da eclosão da Segunda Guerra na Europa, Luize reconstitui a desgraça imposta pelo nazismo aos judeus, razão pela qual muitos deles viriam fazer a vida no Brasil. 
Reunindo sensibilidade pelo drama humano e extensa pesquisa histórica, Luize retrata a chaga do nazismo na miudeza do cotidiano, na intimidade das famílias alemães e europeias, com bárbaros desdobramentos em Portugal, no lar de Clarice e Olivia, de onde a narrativa parte para ganhar o mundo e o Brasil. Acompanhamos a fuga de Clarice e seu marido, o pianista judeu Theodor, por grande parte da Europa, sempre um passo à frente da perseguição nazista, fuga que leva parte da família a cruzar o oceano. Como se não bastasse essa narrativa de tirar o fôlego, Luize presenteia o leitor com um final emocionante e totalmente inesperado.

Com uma linha cronológica que vai do ano 2000, de uma cobertura de luxo em Copacabana, a 1916, em uma pequena vinha em Portugal, e passa pelos anos 30 e 40, em fuga pela Europa, Luize Valente constrói magistralmente o período, com descrição concisa e eficiente, e uma carga emocional surpreendente.
Contar sobre o enredo é tarefa delicada, pois logo nas primeiras páginas, Luize já nos apresenta um segredo impactante, e eu seria uma pessoa péssima se furtasse de vocês o prazer de descobri-lo na leitura.
Clarice e Olívia são irmãs, e vivem sem carinho algum do pai, que se tornou um homem amargo após a morte da esposa ao dar à luz suas filhas.
Preocupada, a avó materna se junta à empregada da vinha, Lina, na tarefa de cuidar das meninas.
 O filho de Lina, Antônio é apaixonado por Olívia desde que a viu sair do ventre da mãe. Após a morte de Manuel, o pai das meninas, Antônio e Olívia se casam, e se mudam para Lisboa.
Clarice se junta ao casal após a morte da avó Bernarda, e a venda da quinta de Manuel.
Em Lisboa, ela conhece Theodor, um rapaz que é judeu e comunista (vai vendo) e se apaixona perdidamente.
E é aí que a gente precisa parar de contar o que se passa, porque os dramas pessoais se misturam ao drama da guerra de forma intensa, e colocá-los aqui seria retirar de vocês o deleite, o desespero e a emoção de lê-los.
Paralelo aos antigos dramas das gêmeas, recontados pela avó, temos também o drama de Tita, neta de uma das gêmeas, que deseja um bebê, mas segue tendo abortos espontâneos. A forma como ele escuta a história da avó tentando se desvencilhar do próprio drama também é comovente.
Cada pequeno pedacinho de história neste livro é desenvolvido para tocar seu coração, e consegue. Cada personagem tem um drama que te faz querer chorar e tirá-lo de dentro daquele livro e dizer que tudo vai ficar bem.
Mas você não pode, porque o livro é real demais. Não há espaço para shippar, ou ter devaneios. O choque de realidade nas páginas deste volume é intenso e impressionante, e devastador, e não há palavras impactantes o suficiente para descrever a destreza com a qual Luize Valente parte nossos corações e esperanças durante a leitura.

Romance, guerra e realidade crua e pulsante. Se você não terminar este livro em meio a lágrimas, eu honestamente acho que não tem nenhum coraçãozinho aí dentro.


12 comentários:

  1. meu Deus, Mandy. PARA DE ACABAR COMIGO, MOLHER. <3
    É mais um que quero que entre na minha lista de leituras. Sou fascinada por histórias de segunda guerra, e não posso deixar de ler Uma praça em Antuérpia.. Até o nome é poético...

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  2. Oi Amanda, tudo bem?
    Apesar de todos os elogios, esse livro não me despertou aqueeeela vontade de ler por se passar no período da Segunda Guerra que é algo que não me agrada =/
    Bjs

    http://a-libri.blogspot.com.br/

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  3. Oi Amanda, já estou emocionada só em ler a resenha. Esse livro está na minha lista e não vejo a hora de comprá-lo, pois adoro essa carga emocional que as boas histórias trazem. Bjs

    Território nº 6

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  4. Olaaa
    Sua resenha esta otima e espero poder ler o livro no futuro quando estiver mais no clima e curtir bastante, otima dica, muito interessante.

    Beijos
    Reality of Books

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  5. Oii Amanda!

    Adorei seu nome hahahaha
    Parabéns pela resenha!
    Dica maravilhosa e super anotada aqui na minha lista ^^

    Beijos, Amanda ^^
    www.vicio-de-leitura.com

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  6. Olá Amanda, tudo bem?
    Estou louca para ler esse livro e espero ter a oportunidade. Gosto muito de dramas e de chorar lendo, então acho que seria uma ótima leitura pra mim. Essa coisa da realidade ser crua e realmente tocar o leitor me deixa empolgada e interessada. Ótima resenha :)
    http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

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  7. Amanda, apesar da sua resenha ser bem positiva eu passo.
    Não gosto muito de livros com tema de fundo a guerra.
    Mas parece ser bem emocionante mesmo.

    Lisossomos

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  8. Só leio comentários positivo sobre esse livro. Eu gosto de ler sobre pessoas que fugiram ou conseguiram sobreviver os horrores da guerra. Acho que relatos assim nos humanizam.
    Espero ter a oportunidade ler esse livro.

    Beijos!

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  9. Olá!
    Não conhecia o livro, essa é a primeira resenha que leio dele.
    Apesar de ter gostado da sua resenha, não curto muito livros que se passam em períodos entre guerras e afins.
    Então, sinceramente, passo a leitura. Mas fico feliz que ela tenha te agradado!
    Beijão!

    www.livrosdajess.com

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  10. Um livro pra chorar é o que estou precisando
    Amo romances e esse com certeza foi pra lista
    Não conhecia o livro e amei pela sua resenha
    bjs
    http://malucaspor-romances.blogspot.com.br/

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  11. Oi Amanda, gostei muito da sua resenha, mas infelizmente esse livro não é o tipo de livro que eu gosto de ler, coisas relacionadas a guerra e essas coisas me deixam muito para baixo, então eu passarei a sua dica dessa vez.

    beijos
    Mayara
    Livros & Tal

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  12. Oiii.
    Eu acho que não seria muito meu estilo,apesar de ter lido muitas resenhas elogiosas sobre este livro, quem sabe eu mude de idéia em relação a ele e o leia.
    Parabens pela resenha.
    Bjs
    leiturasdamary.blogspot.com.br

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