A vida e a obra do poeta-escravo cubano Juan Francisco Manzano




03 setembro 2015

'Juan Francisco Manzano, poeta na ilha de Cuba, foi a única pessoa escravizada latino-americana a escrever uma autobiografia sobre sua experiência no cativeiro.'





A longa e terrível história da escravidão nas Américas tem poucos relatos diretos. Os senhores, naturalmente, não tinham interesse em registrar seus horrores. Os escravos não tinham condições de fazê-lo. A autobiografia do poeta-escravo é agora publicada pela primeira vez no Brasil - um dos países que mais tarde aboliu o horror narrado com enorme vivacidade nestas páginas.
Existem algumas autobiografias de escravos norte-americanos (como o famoso 12 anos de escravidão, de Solomon Northup). Porém, na América Latina e, particularmente, no Brasil, isso não aconteceu. A exceção, única narrativa autobiográfica latino-americana escrita por uma pessoa escravizada durante seu cativeiro, é Juan Francisco Manzano.
Esta edição inclui duas versões da autobiografia: uma tradução para o português padrão e uma transcrição direta, colada nas particularidades e idiossincrasias do original, acompanhadas por mais 300 notas explicativas e um conjunto de textos que torna esta edição um marco incontornável na memória da escravidão.


sobre o autor

Juan Francisco Manzano, poeta na ilha de Cuba, foi a única pessoa escravizada latino-americana a escrever uma autobiografia sobre sua experiência no cativeiro.
Nesse site, você poderá saber um pouco mais sobre ele, ler o texto completo da autobiografia em espanhol, visualizar o manuscrito original, conferir fotos dos lugares onde ele viveu, ler algumas das notas explicativas da edição brasileira e consultar uma bibliografia completa sobre Manzano.

Meus trinta anos, por Juan Francisco Manzano
Quando olho para o espaço percorrido

Desde meu berço, e todo meu progresso,
Estremeço e saúdo meu sucesso
Mais por terror que por amor movido.

Espanta-me o combate que eu, renhido
Sustentei contra a sorte vil e fria,

Se é que posso assim chamar a porfia
De um ser tão infeliz e mal-nascido.

Trinta anos há que estou vivo na terra.
Trinta anos há que, em gemedor estado,

Triste sina em todo lugar me assalta.

Mas nada é para mim a dura guerra,
Que em vão suspirar tenho suportado,

Se a comparo, oh Deus!, com o que me falta.

Juan Francisco Manzano
(tradução: Pablo Zumarán)


Segundo uma tradição provavelmente apócrifa, esse poema, ao ser lido em voz alta pelo autor durante um sarau literário, tanto emocionou os participantes que decidiram fazer uma coleta e lhe comprar a liberdade.

8 comentários:

  1. porra, que foda... :o
    certamente vou querer ler...

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  2. Adorei o poema, muito bonito e reflexivo. Não sei se leria essa biografia no momento, pois não estou no clima, mas é uma ótima dica e uma hora irei querer conferir.
    Beijos

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  3. Nossa que legal!!!!
    A breve biografia do autor já emociona muito, imagina o livro???
    Adorei
    Bjs

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  4. Caramba! Que história. Eu fiquei emocionada com esse poema e estou a fim de ler biografias, que é um gênero que não leio e tudo tem uma hora né. Beijos.

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  5. Olá Lilian,

    Parece uma história incrível, gostaria muito de ler, vou compartilhar....abraço.

    devoradordeletras.blogspot.com.br

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  6. Nossa, que massa o impacto que esse poema proporcionou.
    Fiquei mega curiosa.

    Lisossomos

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  7. Oláá
    Nossa, seu post está ótimo e foi muito bom saber sobre a vida de um escravo, é impactante, imagino. ótima dica

    Beijos
    http://realityofbooks.blogspot.com.br/

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  8. Oii!

    Nossa! Que poema lindo ^^ Não sou muito de poemas, mas esse me conquistou e com certeza irei ler esse livro em breve!

    Beijos, Kamila
    www.vicio-de-leitura.com

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

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