Resenha – Ovos cozidos




14 março 2016


Com um título nada convencional, Ovos cozidos, de Bruno Costa, 136 páginas, Chiado Editora, traz em suas páginas humor mordaz, ironia, criatividade e legitimidade de um texto enxuto.

Sinopse: Bruno Costa é um artista múltiplo., um ser humano sensível, um psicólogo congênito, um observador sagaz. Em seu primeiro livro ele nos apresenta um personagem inteligente, contestador, complexo, irreverente e carismático como o próprio autor. O texto é ritmado, melodioso, poético e cheio de aliterações. O contexto é um oceano onde ele mergulha profundamente na alma dos personagens que cercam o atormentado e romântico escritor, herói dessas crônicas cinematográficas. Jennifer, a advogada tarada; Gilda, a prostituta intelectual; o amigo PS e o editor interesseiro e exigente. Bruno brinca com as palavras, usa o humor escrachado, surpreende e prende o leitor ao revelar o inesperado, enquanto seu personagem central nos sugere uma dose dupla de vodca. O livro merece ser mastigado, deglutido, sorvido e relido. (Alceu Valença)”

O livro conta em cada capítulo a rotina de um escritor da hora que acorda até a hora de deitar. A máxima do clichê sexo, droga e rock in roll, pode ser facilmente substituída, sem perder o crédito conceitual, por: sexo, vodka e ovos cozidos. O autor reconta um clichê pelo olhos de um escritor, esmiúça as atividades do dia a dia, transformando-as em únicas, tal qual como num filme do Woody Allen.

Fiquei pensando no dia que não mais acordaria... um dia sem acordar, sem vodka, sem ovo, sem escrever e sem vida. Morrer deve ser bom, pois você não tem que trabalhar. Defunto não precisa de dinheiro, status e posição. Defunto não precisa sequer de comida e bebida. Esse último pensamento me entristeceu. Quando eu morrer vou sentir falta de jogar na loteria, de ovo cozido e da vodka.”

O ‘acordei’ que insistentemente inicia cada capítulo, dá a sonoridade de um despertador pontual a rotina que é viver à espera da morte. E a vida do escritor segue sem muitas regras e regalias, salvo o ovo e a vodka, contanto com o acaso, ou a própria vida de cada dia. O que torna cada dia cíclico e ímpar.


O final não poderia ser melhor, digno de uma boa gargalhada e mais uma vez, o autor reinventa o clichê romantizado do ‘final feliz’. Os capítulos são curtos, no máximo duas páginas, o que mantem o ritmo quente e acelerado do humor, mas concordo com o Alceu Valença, é um livro para ser relido, degustado. 

Esse livro também faz parte do Desafio Poisonous Bloggers Challenger 2016, que no mês de março, pede um livro que fale sobre comida. 

Por Lilian Farias

13 comentários:

  1. Olá,
    Eu não conhecia nada sobre o livro, e gostei da sua resenha referente a ele, ficou muito interessante, o titulo eu até achei engraçado assumo rs. Mas a premissa não me atraiu tanto, uma pena :(
    Quem sabe na próxima.

    Beijos

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  2. Oi Lilian, tudo bem?
    Infelizmente, a sinopse não me chamou nem um pouco a atenção e acho que por isso não leria esse livro. Só achei interessante o fato de o autor descrever a rotina pelos olhares de um escritor, o que deve ser, no mínimo, irreverente demais.
    Beijos, Fer

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  3. Oii Lilian, tudo bem?
    Eu não sabia que este livro era da Chiado Editora, e eu adorei a sinopse e sua resenha sempre direta e objetiva, chamando muita a minha atenção. Gostei muito do final como disse, fiquei curiosa para saber como foi.
    Beijão

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  4. Lilian, gostei muito do livro, e ainda nem li! :) Gosto muito de coisas assim... E personagem escritor é um dos maiores clichês, né? Fiquei curiosa pra saber como o autor desenvolve isso, como ele lida e satiriza esses clichês.

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  5. Oiiii! Olha, vou te confessar que acredito que não gostaria desse livro, não sei por que, mas livros assim sempre me dão uma certa agonia, parece que tem um quê depressivo ou sei lá, não consigo explicar :P Por isso deixarei sua dica passar. Beijos. Flores no Outono

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  6. Não conhecia o livro e confesso que não me senti atraída pela obra. Mas, sinto que o livro não me agradará, embora segundo suas palavras, tenha uma escrita muito criativa.
    bjão
    Ni
    Cia do Leitor

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  7. Eu já tinha visto o título antes, mas não sabia do que se tratava. Muito original e parece ser um leitura que realmente prende o leitor. Amei a resenha, me convenceu totalmente.
    Abraço;

    http://estantelivrainos.blogspot.com.br

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  8. Oie.
    Nunca ouvi falar do livro e confesso que pelo título eu nunca o compraria, kkk.
    Mas até que parece ser legal. Não que faça meu "tipo" mas se um dia ele aparecer na minha frente eu o comprarei.
    Abraço!

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  9. Olá, tudo bem?
    Não conhecia este livro, mas achei o título muito engraçado. Achei o livro muito interessante e diferente do que estou acostumada a ler.
    Gostei muito da sua resenha!
    Beijos, Larissa (laoliphant.com.br)

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  10. Ei, tudo bem?
    Com um titulo diferente assim, só poderia ser algo relacionado a comédia. Não me interessei pelo livro, mas gostei bastante da sua resenha.

    Beijos, Gabi
    Reino da Loucura

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  11. Adorei o título!!! Parece ser um livro muito bem escrito e pensado. Fiquei bem curiosa e com certeza quando tiver oportunidade vou dar uma conferida nele. De certa forma também me lembrou um pouco dos livros do Charles Bukowski (provavelmente por causa da vodka hahaha)

    Beijos!
    Um Metro e Meio de Livros

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  12. Olá!!
    Que livro interessante! kkk Diferente!
    Nunca tinha visto, e amei a capa! kkkk

    Bjus
    Blog Fundo Falso

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  13. Que título doido! E por ser doido seria o tipo de título e capa que me chamaria a atenção.
    Sexo, vodka e ovos cozidos? Adorei ahahaha!
    Gostei, é o livro de livro para se ler num dia, né? Obrigada pela dica, vou procurar por ele.

    Beeijos, Erica Regina
    Blog Parado na Estante / Fanpage Parado na Estante

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O Poesia na Alma pertence ao universo da literatura livre, como um bicho solto, sem dono e nem freios. Escandalosamente poéticos, a literatura é o ar que enche nossos pulmões, cumprindo mais que uma função social e de empoderamento; fazendo rebuliço celular e sexo com a linguagem.

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Autora dos livros O Céu é Logo Ali, Mulheres Que Não Sabem Chorar e Desconectada. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito. Trabalha no movimento social e acredita que a educação é capaz de trazer mudanças significativas ao país.

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